Dívidas do MEI: como regularizar o CNPJ sem perder o registro

O DAS atrasado não fica parado. Ele acumula encargos, migra para a Dívida Ativa da União e, no limite, leva à baixa do CNPJ — junto com o benefício previdenciário.

Por Nádia Pace — Contadora e especialista em negociação de dívidas · Publicado em 11 de junho de 2026 · Atualizado em 30 de julho de 2026

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O MEI que atrasa o DAS acumula multa e juros e, depois de determinado período, tem o débito inscrito em Dívida Ativa da União. A regularização é feita em dois lugares: débitos ainda não inscritos, no Portal do Simples Nacional ou no e-CAC; débitos já inscritos, no Regularize, da PGFN. O parcelamento vai até 60 meses, com parcela mínima de R$ 50,00.

O que acontece quando o MEI atrasa o DAS

Em uma frase: o DAS atrasado passa por três estágios — encargos, inscrição em Dívida Ativa e, na ausência de regularização, baixa do CNPJ com perda da cobertura previdenciária.

A sequência costuma surpreender porque os valores mensais são pequenos e a percepção é de que "é só uma guia".

  1. Encargos sobre cada guia atrasada

    Multa e juros calculados sobre o valor devido, acumulando mês a mês.

  2. Perda da cobertura previdenciária no período

    Meses não pagos não contam para aposentadoria, auxílio-doença nem salário-maternidade. É a consequência mais silenciosa e a que mais dói depois.

  3. Inscrição em Dívida Ativa da União

    O débito sai da Receita e passa para a PGFN. A partir daí, a cobrança pode incluir protesto em cartório e ação de execução fiscal.

  4. Baixa do CNPJ

    Nos casos de inadimplência prolongada, o registro pode ser cancelado — e o CNPJ cancelado não impede a cobrança do que já é devido.

Onde consultar quanto o MEI está devendo

OndeO que mostra
Portal do Simples Nacional — PGMEIGuias DAS em aberto, emissão de boleto e apuração do que está devido
e-CAC — Receita FederalSituação fiscal completa do CNPJ, com débitos não inscritos em Dívida Ativa
Regularize — PGFNDébitos já inscritos em Dívida Ativa da União e opções de parcelamento e negociação
Aplicativo MEIConsulta rápida e emissão de DAS pelo celular

É preciso conferir os dois lados. Muita gente parcela o que aparece no Simples Nacional, acredita que está regularizada, e descobre depois que existia outra parte já inscrita em Dívida Ativa, que só aparece no Regularize.

Como parcelar as dívidas do MEI

  1. Identifique onde está cada débito

    Não inscrito em Dívida Ativa fica no Simples Nacional e no e-CAC. Inscrito fica no Regularize da PGFN. São processos separados.

  2. Débito não inscrito: parcele pelo Simples Nacional

    Acesso pelo Portal do Simples Nacional ou pelo e-CAC, com código de acesso ou conta gov.br. O parcelamento chega a 60 meses, com parcela mínima de R$ 50,00.

  3. Débito inscrito: negocie pelo Regularize

    O portal da PGFN concentra parcelamentos e as modalidades de transação tributária, que em alguns editais preveem redução de multas e juros para casos enquadrados.

  4. Emita e pague a primeira parcela

    O parcelamento só se formaliza com o pagamento da primeira parcela. Sem esse pagamento, o pedido não se consolida.

  5. Mantenha o DAS corrente em dia

    Atrasar as guias novas durante o parcelamento é o que mais derruba acordo. O parcelamento cuida do passado; o presente continua vencendo todo mês.

A DASN-SIMEI não pode ficar de fora

Além das guias, existe a declaração anual — a DASN-SIMEI, entregue até 31 de maio de cada ano, referente ao ano anterior. Ela é obrigatória mesmo quando o MEI não faturou nada no período.

A ausência da declaração gera multa própria e trava a emissão de certidão negativa, o que atrapalha a contratação de crédito e a participação em licitações. Regularizar as guias sem entregar as declarações deixa o CNPJ apenas parcialmente resolvido.

Vale a pena manter o MEI aberto quando há dívida?

A pergunta aparece sempre, e a resposta depende de dois fatores.

Se o CNPJ ainda gera receita, o mais comum é que compense manter e parcelar: fechar não elimina a dívida — ela permanece e passa a ser cobrada da pessoa física responsável — e ainda encerra a contribuição previdenciária.

Se o CNPJ está parado há anos, o cálculo muda: continuar gerando DAS mensal em uma atividade inexistente só aumenta o passivo. Nesse caso, o caminho costuma ser regularizar o que existe e avaliar a baixa formal — lembrando que a baixa não apaga o débito anterior.

Em qualquer dos dois cenários, deixar o CNPJ aberto e ignorado é a pior opção. O DAS continua sendo gerado todo mês, e o passivo cresce sem que exista atividade alguma para justificá-lo.

Perguntas frequentes

O que acontece se o MEI não pagar o DAS?

O valor acumula multa e juros, os meses não pagos deixam de contar para a aposentadoria e demais benefícios do INSS, e o débito acaba inscrito em Dívida Ativa da União. Na inadimplência prolongada, o CNPJ pode ser baixado — o que não cancela o que já é devido.

Em quantas vezes o MEI pode parcelar a dívida?

O parcelamento vai até 60 meses, com parcela mínima de R$ 50,00. Débitos ainda não inscritos em Dívida Ativa são parcelados no Portal do Simples Nacional ou no e-CAC; débitos já inscritos, no Regularize da PGFN.

Dívida do MEI vai para o CPF do dono?

O MEI não tem separação patrimonial plena como outras naturezas jurídicas. Débitos não quitados podem ser cobrados do titular, e o CPF pode ser afetado, inclusive por protesto em cartório após a inscrição em Dívida Ativa.

Preciso declarar a DASN-SIMEI mesmo sem faturamento?

Sim. A declaração anual é obrigatória mesmo com faturamento zero, e o prazo é 31 de maio de cada ano, referente ao ano anterior. A falta gera multa própria e impede a emissão de certidão negativa.

Fechar o MEI apaga a dívida?

Não. A baixa do CNPJ encerra a atividade, mas os débitos existentes permanecem e continuam sendo cobrados. O caminho é regularizar ou parcelar antes de decidir sobre a baixa.

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Sobre quem escreveu este guia

Nádia Pace — Contadora e especialista em negociação de dívidas. Contadora com CRC ativo e mais de 20 anos de experiência, com passagens por Receita Federal e KPMG. Correspondente bancária certificada. Já orientou mais de 11 mil pessoas endividadas no Brasil e criou o método Viva Sempre Com Dinheiro.

Conteúdo revisado e atualizado em 30 de julho de 2026.